Prontos para se confessar mais uma vez? Madonna voltou a reivindicar seu posto de Rainha do Pop com o lançamento de “Confessions II”. Como o próprio nome indica, o álbum é a sequência de seu icônico “Confessions on a Dance Floor”, disco que fez o mundo inteiro dançar em 2005.
Para divulgar o projeto, a artista investiu pesado. Além de parcerias com marcas como Absolut, Grindr e Kiko, Madonna lançou diversos singles — entre eles, “Bring Your Love”, gravado em parceria com Sabrina Carpenter —, produziu um curta-metragem com elenco estrelado, realizou shows e até fez apresentações-surpresa como DJ.
A cantora apostou em uma ampla campanha para promover o álbum, que, curiosamente, quase nunca chegou a existir.
Em uma longa entrevista concedida à revista Interview, Madonna explicou que seu 15º álbum nasceu como uma reação ao conturbado desenvolvimento da cinebiografia sobre sua vida.
Durante a pandemia, a intérprete de “Vogue” decidiu escrever e dirigir um filme sobre sua trajetória extraordinária. No entanto, o projeto passou por inúmeras reescritas e mudanças de formato — de um longa-metragem para uma série de TV — antes de ser abandonado pela própria cantora, que decidiu se dedicar à turnê “The Celebration Tour”, em 2023.
"Trabalhei no roteiro por dois anos e passei esse período ao lado da Universal e dos produtores discutindo o elenco e o orçamento", resumiu a artista.
O problema? Ela e o estúdio Universal entraram em um "profundo desacordo" sobre o valor necessário para tirar o projeto do papel.
"Tive uma vida extraordinária, uma vida enorme, então precisava de um orçamento enorme. Não poderia ser um filme independente", afirmou.
Diante da resistência do estúdio, Madonna chegou até a tentar reduzir os custos da produção propondo que parte das filmagens fosse realizada... na Sérvia.
"Eles não acreditavam em mim", resumiu a artista, que já vendeu mais de 300 milhões de discos. "Uma das primeiras reações deles foi: 'Você nunca vai ficar na Sérvia por mais de quatro dias!'. E eu respondi: 'Vocês leram o roteiro?'. Passei a vida inteira sobrevivendo. Não vou para lá tirar férias."
O projeto acabou sendo interrompido quando a cantora foi hospitalizada devido a uma grave infecção bacteriana. "Eu estava no limbo", recordou, de forma discreta.
Depois disso, a Netflix a procurou para transformar sua história em uma série. No entanto, um novo obstáculo surgiu no caminho.
"Eu não podia usar o roteiro que havia escrito com a Universal, a menos que o recomprasse por um preço exorbitante. Isso, mesmo tendo sido eu quem o escreveu. É assim que funciona... Comecei a entender como é o processo de criação de uma série. Você precisa encontrar os roteiristas certos e o showrunner ideal. E eu simplesmente não conseguia encontrar essas pessoas. Isso durou oito ou nove meses. Então pensei: 'Graças a Deus tenho outro projeto, porque preciso trabalhar e criar.'"
Abalada com a interrupção repentina do projeto, Madonna voltou sua atenção para sua maior paixão: a música. Foi assim que gravou “Confessions II” ao lado de seu colaborador de longa data, o produtor Stuart Price.
Seu álbum anterior havia sido lançado em 2019, e nunca antes a cantora havia passado tanto tempo sem lançar um disco de inéditas.
"Eu achava que o mundo estava vivendo um momento muito sombrio e que as pessoas precisavam dançar. Fazia muito tempo que eu não trabalhava com Stuart. Nós havíamos acabado de fazer a The Celebration Tour juntos, mas, tirando isso, eu não o via havia cerca de 15 anos. (...) Fui ao estúdio dele e fizemos alguns testes para ver se a magia entre nós ainda existia. Eu estava passando por um período muito difícil na minha vida pessoal."
Enlutada pela morte do irmão e da madrasta, Madonna encontrou na música um refúgio e uma forma de terapia.
"Escrevi sobre muitos traumas familiares e, depois, começamos a fazer músicas para dançar. Hesitei várias vezes, mas então pensei: 'É isso. Está soando bem. Então, a menos que a Netflix me ligue amanhã com um roteirista de quem eu goste, vou seguir por esse caminho'. (...) É como o roteiro do meu filme. Começa com a morte e termina com a morte, mas existe toda uma vida entre esses dois momentos. São temas paradoxais, claro, mas a morte faz parte da vida. Eu realmente precisava me libertar de algumas coisas."
Segundo rumores, a atriz Julia Garner era a principal cotada para interpretar a Rainha do Pop na cinebiografia. Como uma espécie de homenagem — ou talvez um aceno ao projeto que nunca saiu do papel —, a atriz aparece no curta-metragem que acompanha o lançamento de “Confessions II”.
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